Archive for the ‘Apresentação’ Category

Este é um assunto que sempre gera grandes discussões e que já ensaiei escrever de diversas formas aqui para o blog. Por ser um tema de extrema importância, já rascunhei, li muito, escrevi e nunca publiquei.

Ontem, depois de longas conversas com queridos amigos arquitetos, recebi este texto que compartilho com vocês. Quando terminei de ler o texto vi que eu não precisava escrever sobre o assunto, que esta carta que agora publico tinha um peso imenso por toda a importância do seu autor e que ninguém melhor do que ele para explicar “por que contratar um arquiteto?”

Para os Arquitetos o autor do texto dispensa apresentações.

Para os que não conhecem, apresento-lhes: João Batista Vilanova Artigas. (Fonte: CAU – Conselho de Arquitetura e Urbanismo)

“O paranaense João Batista Vilanova Artigas foi um dos arquitetos brasileiros mais importantes do século XX. Radicado em São Paulo, foi fundador e professor universitário da FAU – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, escola cujo prédio ele mesmo projetou. Seu estilo é característico da assim chamada escola paulista ou escola brutalista de São Paulo, dentro do modernismo. Nasceu em Curitiba, em 1915 e se formou na Escola Politécnica da USP.”

POR QUE CONTRATÁ-LO?

Esta carta do Arquiteto João Batista Vilanova Artigas ilustra, de maneira clara,  a importância da contratação de um arquiteto.

Carta ao cliente

Confesso que não me assustei muito ao ler sua carta contando o resultado da conferência para autorização de um projeto para o São Lucas. Estas coisas acontecem sempre porque, por falta de costume, quem constrói, nem sempre avalia o plano de como deveria fazê-lo. Se eu insisto em aconselhá-lo mais uma vez para que consiga um arquiteto para dirigir os trabalhos de seu hospital, não é somente porque desejo muito trabalhar para um hospital modelo, mas porque, e principalmente porque, não posso crer que uma obra, da importância da sua, possa nascer sem estudo prévio. É vezo brasileiro fazer as coisas sem plano inicial perfeitamente elaborado; quando se pergunta sobre como ficarão estes e aqueles pormenores, a resposta é sempre a mesma: Ah! Isso depois, na hora, veremos.

Assim fazem-se as casas, os prédios, as cidades; nesse empirismo vive a lavoura, a indústria e o próprio governo. O planejamento, mercadoria altamente valorizada em todo mundo para qualquer realização, não encontrará entre nós o ambiente propício enquanto nós moços não nos capacitarmos da sua necessidade imprescindível. Poderia continuar conversando com você sobre a grande vantagem de planejar com antecedência, até amanhã, sem esgotar todos os argumentos e provavelmente terminaria por dizer que é até demonstração de patriotismo e inteligência. Mas com isso não convenceríamos ninguém; talvez muito mais vantajoso seria confinar a discussão entre os limites das vantagens particulares, individuais de aplicar o método. Então vejamos. A pergunta é sempre a mesma; -”que vantagem poderíamos ter em gastar CR$ 65.000,00 em um projeto somente? O projeto não é o prédio; muito pelo contrário, somente uma despesa a mais! Contratando a construção o projeto viria de graça, feito pelo próprio construtor e nós economizaríamos 5% sobre o valor do prédio. Com esses 5%, no caso de querermos gastá-lo, até poderíamos melhorar algumas condições do edifício; enriquecer alguns materiais etc…”

Garanto que os argumentos acima lhe foram expostos mais de uma vez. São os que sempre vejo empregados em ocasiões dessas e nunca mudam. São também os mais fáceis de rebater e os menos inteligentes.

Senão vejamos: “…O projeto sempre custa alguma coisa. O construtor que o fizer terá, sem dúvida que empregar engenheiros e desenhistas para isso. Terá de empregar gente para calcular concreto, para calcular aquecimento, eletricidade, etc… O construtor cobrará essa despesa do proprietário através da comissão para a construção. Tanto isso é verdade que, se você apresentar aos construtores um projeto completamente pronto, ele cobrará percentagem menor para a construção porque dirá, “não terei despesas no escritório”. Suponhamos que a taxa de honorários para a construção seja de 10 a 12%, inclusive o projeto. Se você der o projeto, encontrará quem lhe faça por 6 ou 8%. Daí você conclui que o projeto que você pagou ao arquiteto 5%, já representa nessa ocasião somente 1% ou 2% a mais do que o preço geralmente previsto.

Mas eu desejo provar que o plano geral, feito com antecedência, é economia e não despesa. Então vamos continuar. Ninguém pode negar, nenhum construtor, nenhum cliente, que o projeto feito pelo técnico, contém em si uma previsão maior dos diversos detalhes do que o projeto rabiscado pelo construtor e verificado pelo proprietário. Faça uma experiência. Tome um plano que esteja em início de construção e pergunte a quem o dirige: por onde passam os canos de aquecimento? Por onde passam os canos de esgoto? O senhor vai fazer antes isso ou aquilo? Garanto que não sabem.

Responderão: “provavelmente passarão por aqui ou ali, farei isto ou aquilo antes. Se na ocasião de executar um serviço, verificar-se um contratempo qualquer, um cano que não pode passar porque tem uma porta, um esgoto vai ficar aparecendo no andar de baixo; o construtor resolve em função do problema, no momento. Ele dá voltas com o cano ou faz um forro falso para esconder o esgoto que iria aparecer em baixo. Entretanto se isso tivesse sido previsto, não precisaria de forro falso ou qualquer outra coisa. No papel, teria sido procurada e encontrada a solução mais econômica, para o caso, a mais bonita.

Consulte um construtor experimentado ou alguém que já tenha construído e todos serão unânimes em contar-lhe pequenas calamidades que apareceram. Eu já ouvi diversas vezes, por exemplo: “Quando colocamos as fundações no terreno nós vimos que o quarto ficaria enterrado. Então levantamos as fundações mais cinqüenta centímetros para dar certo. Por isso deu uma escada na entrada e ficou com um porão, etc… Se você calcular quanto mais caro ficou a imprevisão, você verá a vantagem de ter um projeto estudado. O arquiteto teria dado uma disposição diferente nos cômodos de maneira que o tal quarto não ficasse enterrado, sem ter que aumentar as fundações e assim economizaria o dinheiro com o qual se faria pagar.

Se o proprietário não ganhasse nada, ainda teria para si uma solução melhor e um motivo para valorizar seu imóvel. O construtor por exemplo não projetaria as instalações elétricas. Ele chamaria um instalador “prático” e o homem disporia a coisa à sua vontade. Usaria os canos que ele quisesse e os fios que achasse melhores. Bem curioso, não é ? Poucos entendem disso e ninguém iria fiscalizar o homem. Acontece, porém que os fios, quando são fios demais em relação à corrente que transportam, dão muitas perdas, e essas se traduzem em despesa mensal maior de energia para você durante os 50 ou 100 anos de funcionamento do hospital; assim você pagaria 100 vezes um bom projeto de distribuição de eletricidade. Estou apenas repetindo casos cotidianos.

Do funcionamento do hospital ainda mais, o construtor provavelmente não entende e nem terá tempo suficiente para estudar. Ele não é especializado em hospitais porque isto é Brasil e depois não estudam porque não é o seu métier. Ora, assim sendo, ele vai confiar em você. Você conhece hospitais já feitos e em funcionamento, como hospitais, não como construções. Os seus preconceitos, a respeito, o construtor repetirá com o dinheiro de seu bolso. As soluções que, para alguns casos que você viu, são soluções econômicas poderão constituir soluções caríssimas, no seu caso. Rematando, sua casa de saúde não teria o melhor aspecto porque faltou um artista.

Arquitetura, é construção e arte. Arte. Arte não tem livro de regulamento que ensine. Nasce dentro de cada um e desenvolve-se como conjunto de experiências. Procure um homem que possa das à sua casa de saúde, além das características de um hospital eficiente pelo perfeito planejamento das diversas sessões, um valor artístico indiscutível.

O valor artístico é um valor perene, enorme, inestimável. É um valor sem preço e sem desgaste. Pelo contrário, aumenta com os anos à proporção que os homens se educam para reconhecê-lo. O valor artístico subsiste até nas ruínas. Os anos correm e desgastam o material, enquanto valorizam o espiritual.

Com a consciência limpa termino minha proposta. Está em suas mãos a responsabilidade de decidir entre os caminhos. De um lado eu me coloco, não só, mas como representante dos arquitetos brasileiros, defendendo a economia, a ordem e acima de tudo, o futuro. De outro lado, o empirismo, a reação, a imprevisão.

Qualquer solução que você venha a dar não mudará as relações entre nós, nem sua opinião futura sobre o que acabo de escrever. Se o prédio for bom, bem projetado, bem planejado, por um bom arquiteto, você gostará, todos gostarão; se ele não prestar, se custar muito, se não funcionar, ser for feio ou sem personalidade, sem valor artístico, sem plano nenhum, o resultado será o mesmo. Em todos os dois casos você adquirirá experiência e acabará por trabalhar sempre do meu lado e com os meus argumentos. Nós venceremos sempre como eu queria demonstrar.

Pague pois o que eu pedi. É pouco em relação às vantagens futuras. Ou não pague, e as vantagens serão as mesmas, para a sociedade evidentemente, não para você.

Com um abraço afetuoso do amigo certo,

Vilanova Artigas
São Paulo, julho de 1945

 

Fonte: Texto publicado no site do CAU.

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O ano novo já está batendo na porta e para comemorar a sua chegada resolvemos aqui em casa fazer centros de mesa (recicláveis) para comemorar o comecinho de 2014 com muita luz!

Para vocês que ainda querem enfeitar a casa, é só correr no saco de material reciclável,  separar algumas garrafas, velas comum, palitinhos de churrasco e uma fita que sobrou dos pacotes de presentes do natal!

Vejam como é fácil!

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Primeiro coloque as garrafas de molho na água para facilitar a retirada do rótulo.

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Em seguida, lave e seque as garrafas.

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Coloque as velas dentro das garrafas. Como as velas que usamos eram muito finais, colocamos palitinhos de churrasco para não afundar.

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Se preferir, coloque uma fita para enfeitar.

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Pronto, agora é só acender e comemorar a chegada do ano novo!

Feliz 2014!!!

Desejo a todos que este ano novo que se inicia seja repleto de bons projetos e realizações!

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Eu estou sempre procurando formas de melhorar o blog e publicar projetos e ideias interessantes por aqui.

Escrever no blog requer tempo e nem sempre consigo parar para editar todas as ideias que tenho.

Recentemente recebi a sugestão de criar uma página da “paisagistica” no facebook! Esta ideia foi muito boa, porque lá consigo postar dicas e projetos legais, só que de forma bem resumida.

Quer saber o que publiquei  lá estes dias?

– Reportagem sobre a candidatura de SP para sediar a expo 2020.

Fonte: UOL.

Fonte: UOL.

– Temperos naturais e seus benefícios.

– Link para um filme que mostra problemas do solo e soluções sustentáveis.

– Ideias para decoração de festas.

– Reportagem sobre “demolição invisível”.

– Caminho das Graças, em Canela, Rio Grande do Sul.

– Dicas de onde encontrar informações sobre ervas e hortaliças para plantar na horta em casa.

– Matéria sobre o cultivo de hortaliças na cidade.

Lá tem tudo isso e muito mais! E aí, o que está esperando para entrar, curtir e compartilhar com os seus amigos?!

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Recentemente fui para São Paulo fazer um curso e fiquei hospedada no Hotel Fazenda Santa Mônica, em Louveira.

O hotel tem um lindo e grande jardim. São muitas árvores, todas  tão grandes e imponentes que parecem tocar o céu.

arvore 1

A paz de estar em comunhão com a natureza faz muita falta no nosso dia a dia.

Refugiar-se em um jardim como este é um alívio para a alma e para a mente. Dormir com o som da água de uma fonte, ver o sol nascer, ouvir o canto das pássaros e, finalmente, abraçar uma árvore. Por que não?

arvore 2

Segundo a minha amiga Carmen Catelli Amaral (do blog Abraço de luz) abraçar uma árvore é como tocá-la com o coração. Li vários artigos sobre o assunto e são muitas as pessoas que acreditam na terapia de abraçar as árvores.

Para mim é um abraço de gratidão. Pode parecer loucura em um primeiro momento, mas você já experimentou o prazer de abraçar uma árvore?

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Alguns artigos que encontrei sobre o assunto:

Abraçar árvores pode ter fins medicinais

Abraçar árvores: uma alternativa para renovar as energias.

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cartão_natal 2012.cdr

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Segundo do dicionário Michaelis:

“Paisagística – pai.sa.gís.ti.ca
sf (paisagem+ístico, no fem) Arte de pintar ou descrever paisagens.”

 

Compor um jardim é algo fascinante, tanto quando pintar um quadro. São muitas escolhas de cores, texturas, formas e alturas! “Paisagística” pra mim é tudo isso! É a soma de tudo o que somos, o que vemos, estudamos e criamos.

Por ser esta soma este blog não trata do paisagismo de forma isolada! Portanto aqui, como Arquiteta e Urbanista, falarei de Arquitetura e Paisagismo.

Sejam todos bem vindos!

Não deixem de comentar! Será muito bom saber que vocês passaram por aqui e o que acharam!

Ana Claudia

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