Posts Tagged ‘residência AU+E’

Especificar as espécies para um projeto de paisagismo é uma das partes que mais gosto do meu trabalho mas que demanda tempo, estudo e pesquisa.

Escolher as plantas dependem de vários fatores. Vocês sabem quais são eles?

 

Luminosidade, clima, adequabilidade ao projeto, necessidade de regas e tipo de solo são sempre os principais itens a serem ponderados.

Cada projeto tem as suas especificidades. O meu último projeto, por exemplo, foi para a ABENE (Associação Beneficente de moradores de nova esperança), através da Residência AU+E.  Uma das especificidades deste projeto de paisagismo era o fato da associação estar localizada dentro da APA (área de preservação ambiental) Joanes Ipitanga Neste caso, além dos fatores que eu listei alí em cima as espécies deveriam ser preferencialmente nativas ou exóticas de ocorrência na APA.

E onde encontrar todas estas informações?

Eu tenho sempre comigo alguns livros de paisagismo onde encontro a maior parte destas informações.

No caso do projeto para a ABENE foi mais difícil, porque a preferência era por espécies nativas da APA e muitas eu nunca tinha trabalhado ou não constavam dos livros que tenho. Durante o trabalho consultei muitos sites e a partir desta minha pesquisa eu criei uma lista com sites bem legais e cheios de informação.

Segue a minha listinha de sites para consulta de espécies:

http://florabrasiliensis.cria.org.br/

http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/umbuzeiro-simbolo-de-vida-e-resistencia/

http://www.umpedeque.com.br/bkp/site_umpedeque/

http://www.refloresta-bahia.org/br

http://www.arvores.brasil.nom.br/esq.htm

http://www.colecionandofrutas.org/

 

 

Anúncios

Read Full Post »

Hoje é o dia nacional do Arquiteto e Urbanista, profissional indispensável para o planejamento das cidades, dos seus vazios, áreas verdes e das suas construções.

Em especial, deixo aqui a minha homenagem aos meus mestres e colegas da Residência AU+E, com os quais aprendi muito nestes últimos 14 meses.

Tivemos muitas dificuldades durante este percurso (que ainda estamos trilhando) de primeira turma de residentes mas graças ao comprometimento e dedicação de todos estamos colhendo bons resultados para a construção de cidades mais justas, com propostas que valorizam a troca de saberes e as necessiades da população.

Para mim isso sim é ser Arquiteto e Urbanista: trabalhar de maneira interdisciplinar participativamente para construir cidades melhores e mais justas! Parabéns!

A lenda do arquiteto

(Efrain Cordero)

Dizem que são seres mágicos, que podem construir casas, cidades e mundos de papel onde rapidamente se pode viver neles. 

Conta a lenda que não dormem, fazendo de sonhos realidade.

Que ninguém os vê trabalhando de dia, somente de noite, fabricando ideias com papeis para que na manhã seguinte estejam terminadas e durem pela vida inteira.

Dizem também que medem entre 1,50 e 1,90 de altura, mas que suas obras alcançam o céu.

Que podem respirar ideias e expelir realidades pela boca.

Que fabricam gigantes em escalas.

Tem o poder de converter papel em concreto, vidro ou metal.

Por isso pensam que são donos da pedra filosofal.

Mas isto é apenas uma lenda. Se alguém por ventura encontrar algum deles, recomenda-se segurar firme para que não escape, pois são seres mágicos, pouco vistos, e nem sempre reconhecidos.

Read Full Post »

A palmeira juçara (Euterpe Edulis) é uma espécie nativa da Mata Atlântica que ocorre do Rio Grande do Sul até o sul da Bahia. A partir do seu caule são produzidas ripas e caibros para a construção, além do palmito.

Ela também é considerada uma espécie chave para a manutenção da fauna e da flora da mata atlântica.

A necessidade de preservação desta espécie é urgente e a sua grande exploração para a produção dos produtos citados colocou a palmeira juçara na lista das espécies em risco de extinção.

Hoje estou finalizando as pranchas do meu trabalho final da Residência AU+e e a palmeira Juçara é uma das espécies que estou especificando para o projeto de requalificação do centro comunitário da associação beneficente dos moradores de Nova Esperança (ABENE).

Quer saber mais sobre ela?

Vejam que interessante esta matéria ilustrada publicada no “estadão”!

estadao palmeira juçara

Read Full Post »

Hoje, na busca por referências de projetos de pergolados e elementos vazados para o projeto final da Residência AU+E, separei este projeto residencial lindíssimo do escritório australiano “wolveridge architects” para compartilhar aqui no blog. Vale a pena conferir!

Read Full Post »

Já faz algum tempo que não escrevo no blog. Outro dia escrevi um texto explicando sobre a minha ausência e sobre a pós graduação que estou fazendo na Universidade Federal da Bahia. O problema é que nunca acho que a explicação está boa o suficiente, então não publico.

Toda quinta-feira temos aula de “Metodologias e Técnicas para Projetos Participativos”. Para esta aula de hoje recebemos algumas leituras prévias e como gostei muito de uma delas, resolvi compartilhar aqui com vocês.

Espero que gostem!

Em breve espero conseguir publicar um post explicando sobre a especialização.

________________________________________________________________________________

Escutatório – Rubem Alves

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.

Escutar é complicado e sutil. Diz o Alberto Caeiro que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma“. Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas – coitadinhas delas – entram e caem num mar de idéias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o que vemos não são as árvores e as flores. Para se ver e preciso que a cabeça esteja vazia.

Faz muito tempo, nunca me esqueci. Eu ia de ônibus. Atrás, duas mulheres conversavam. Uma delas contava para a amiga os seus sofrimentos. (Contou-me uma amiga, nordestina, que o jogo que as mulheres do Nordeste gostam de fazer quando conversam umas com as outras é comparar sofrimentos. Quanto maior o sofrimento, mais bonitas são a mulher e a sua vida. Conversar é a arte de produzir-se literariamente como mulher de sofrimentos. Acho que foi lá que a ópera foi inventada. A alma é uma literatura. É nisso que se baseia a psicanálise…) Voltando ao ônibus. Falavam de sofrimentos. Uma delas contava do marido hospitalizado, dos médicos, dos exames complicados, das injeções na veia – a enfermeira nunca acertava -, dos vômitos e das urinas. Era um relato comovente de dor. Até que o relato chegou ao fim, esperando, evidentemente, o aplauso, a admiração, uma palavra de acolhimento na alma da outra que, supostamente, ouvia. Mas o que a sofredora ouviu foi o seguinte: “Mas isso não é nada…“ A segunda iniciou, então, uma história de sofrimentos incomparavelmente mais terríveis e dignos de uma ópera que os sofrimentos da primeira.

Parafraseio o Alberto Caeiro: “Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma.“ Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. Certo estava Lichtenberg – citado por Murilo Mendes: “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas.“ Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos…

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos, estimulado pela revolução de 64. Pastor protestante (não “evangélico“), foi trabalhar num programa educacional da Igreja Presbiteriana USA, voltado para minorias. Contou-me de sua experiência com os índios. As reuniões são estranhas. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, como se estivessem orando. Não rezando. Reza é falatório para não ouvir. Orando. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas. Também para se tocar piano é preciso não ter filosofia nenhuma). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito. Pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que julgava essenciais. Sendo dele, os pensamentos não são meus. São-me estranhos. Comida que é preciso digerir. Digerir leva tempo. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se falo logo a seguir são duas as possibilidades. Primeira: “Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava eu pensava nas coisas que eu iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado.“ Segunda: “Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.“ Em ambos os casos estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: “Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.“ E assim vai a reunião.

Há grupos religiosos cuja liturgia consiste de silêncio. Faz alguns anos passei uma semana num mosteiro na Suíça, Grand Champs. Eu e algumas outras pessoas ali estávamos para, juntos, escrever um livro. Era uma antiga fazenda. Velhas construções, não me esqueço da água no chafariz onde as pombas vinham beber. Havia uma disciplina de silêncio, não total, mas de uma fala mínima. O que me deu enorme prazer às refeições. Não tinha a obrigação de manter uma conversa com meus vizinhos de mesa. Podia comer pensando na comida. Também para comer é preciso não ter filosofia. Não ter obrigação de falar é uma felicidade. Mas logo fui informado de que parte da disciplina do mosteiro era participar da liturgia três vezes por dia: às 7 da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde. Estremeci de medo. Mas obedeci. O lugar sagrado era um velho celeiro, todo de madeira, teto muito alto. Escuro. Haviam aberto buracos na madeira, ali colocando vidros de várias cores. Era uma atmosfera de luz mortiça, iluminado por algumas velas sobre o altar, uma mesa simples com um ícone oriental de Cristo. Uns poucos bancos arranjados em “U“ definiam um amplo espaço vazio, no centro, onde quem quisesse podia se assentar numa almofada, sobre um tapete. Cheguei alguns minutos antes da hora marcada. Era um grande silêncio. Muito frio, nuvens escuras cobriam o céu e corriam, levadas por um vento impetuoso que descia dos Alpes. A força do vento era tanta que o velho celeiro torcia e rangia, como se fosse um navio de madeira num mar agitado. O vento batia nas macieiras nuas do pomar e o barulho era como o de ondas que se quebram. Estranhei. Os suíços são sempre pontuais. A liturgia não começava. E ninguém tomava providências. Todos continuavam do mesmo jeito, sem nada fazer. Ninguém que se levantasse para dizer: “Meus irmãos, vamos cantar o hino…“ Cinco minutos, dez, quinze. Só depois de vinte minutos é que eu, estúpido, percebi que tudo já se iniciara vinte minutos antes. As pessoas estavam lá para se alimentar de silêncio. E eu comecei a me alimentar de silêncio também. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir. Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. E música, melodia que não havia e que quando ouvida nos faz chorar. A música acontece no silêncio. É preciso que todos os ruídos cessem. No silêncio, abrem-se as portas de um mundo encantado que mora em nós – como no poema de Mallarmé, A catedral submersa, que Debussy musicou. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar – quem faz mergulho sabe – a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Me veio agora a idéia de que, talvez, essa seja a essência da experiência religiosa – quando ficamos mudos, sem fala. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar. Para mim Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto… (O amor que acende a lua, pág. 65.)

Read Full Post »

%d blogueiros gostam disto: